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Sobre os resultados das Eleições para Presidente da República

Declaração de António Filipe

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Quero saudar fraternalmente todos os eleitores que votaram na minha candidatura. Todos os eleitores que venceram os apelos à resignação, que não soçobraram perante a chantagem do medo e que sem ceder a desânimos não desistiram de expressar convictamente o seu voto na minha candidatura. 

Sabemos que o povo português vai ter de enfrentar grandes ameaças e desafios, mas também sabemos com quem podemos contar para os enfrentar com a coragem que é necessária.  

Fizemos uma campanha de que só temos de nos orgulhar. 

Quero, por isso, enviar um abraço muito fraterno aos militantes do PCP, aos militantes do PEV e aos democratas sem filiação partidária que se associaram a esta campanha e que com o seu apoio e a sua presença deram um exemplo de participação cívica e de mobilização pela democracia, em defesa da Constituição e de afirmação dos valores de Abril. 

Foi uma campanha honesta, de verdade, feita com elevação, convictamente empenhada na valorização do debate democrático, afirmando com clareza e frontalidade o que queremos para o País e para o exercício do mandato presidencial, uma campanha que optou pelo lado do trabalho e dos trabalhadores, uma campanha centrada na defesa e cumprimento da Constituição e da afirmação dos valores da Revolução de Abril. 

Assumi-me como o candidato dos trabalhadores e fizemos uma campanha de contacto intenso com os trabalhadores, de solidariedade para com as suas lutas, rejeitando o pacote laboral e reivindicando melhores salários para quem trabalha e melhores reformas e pensões para quem trabalhou uma vida inteira. Fizemos uma campanha com os jovens e para os jovens, reivindicando com eles o fim das propinas no Ensino Público, condições para obter os graus mais elevados de ensino, carreiras profissionais valorizadas e políticas de acesso à habitação que não obriguem os jovens portugueses a ter de emigrar para ter um futuro de acordo com as suas aspirações legítimas. 

Fizemos uma campanha centrada nas preocupações reais das pessoas, certos de que a resolução dos graves problemas que afetam a larga maioria da população só serão resolúveis se houver uma mudança no rumo político do País, com políticas de esquerda, de sentido progressista, de rutura com o consenso neoliberal, no caminho apontado pela Constituição e com a convicção da necessidade de eleger um Presidente da República determinado a exercer os seus poderes constitucionais com esse objetivo. 

O resultado obtido pela minha candidatura ficou aquém do que Portugal precisa e não permite alimentar a ideia de que o resultado destas eleições se traduza na expressão da vontade de mudança, de um novo rumo de sentido progressista para a política nacional. 

O resultado da primeira volta destas eleições significa que não haverá nos próximos cinco anos um Presidente da República determinado em enfrentar a política de direita e os interesses do grande capital que comandam a vida do País nem em fazer prevalecer a Constituição sobre a ofensiva que está em curso, e se intensificará, contra os direitos económicos e sociais nela consagrados. 

Em face do pacote laboral que o Governo PSD/CDS pretende levar por diante, da degradação do Serviço Nacional de Saúde que está em curso, da negação do direito à habitação, dos ataques que se vão intensificar contra os direitos sociais consagrados na Constituição, o povo português terá de encontrar a força necessária para lutar contra esses propósitos reacionários. Pela nossa parte, faremos parte dessa força. 

O povo português vai enfrentar tempos exigentes. Estaremos convictamente ao seu lado, na luta pelos seus direitos, sem qualquer desânimo ou vacilação, e desde já com o seu pronunciamento na 2.ª volta destas eleições presidenciais.  

A partir de amanhã estaremos cá com a mesma determinação e coragem com que fizemos esta campanha e com que estamos hoje, com a consciência tranquila, e com a convicção de ter cumprido o nosso dever para com os trabalhadores, o povo e o País.  

Muito obrigado. 

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A direita controla hoje todos os órgãos de soberania. Apoia-se no crescimento de uma extrema-direita fascizante, racista e xenófoba. Neste quadro as eleições para Presidente da República assumem particular importância”

Os centros de decisão do capital começaram cedo a preparar as próximas eleições para Presidente da República, com a valorização e projeção de imagens ou conceitos como “autoridade” ou “poder forte””

Outras candidaturas que se perfilam com apelos ao consenso e à moderação feitos por quem quer que tudo fique na mesma”

Perante as candidaturas já anunciadas, muitos democratas lamentavam com razão a falta de uma candidatura que se identificasse sem reservas com os valores de Abril. Essa candidatura faltava, mas já não falta. Aqui estamos”

Uma candidatura a Presidente da República não pode resumir-se a produzir declarações generalistas e inócuas, sobretudo na situação que o País atravessa”

Nas funções que assumi no âmbito da Assembleia da República, que foram muitas e diversas procurei sempre defender o projeto libertador de Abril o melhor que fui capaz.”

É a candidatura de um comunista, com a confiança e o apoio dos seus camaradas, mas rejeita que a queiram limitar às fronteiras de uma afirmação partidária.”

É a candidatura que denuncia o sistema capitalista como causa profunda das injustiças, das desigualdades e da exploração.”

É a candidatura que constitui o espaço de convergência de todos os que se revêem na Constituição independentemente das suas opções políticas e partidárias.”

Entrevista

“O poder económico, perante a falência do modelo politico neoliberal que criou, alimenta as forças de extrema direita”
“A extrema-direita fala de corrupção, tenta associar a democracia à corrupção, quando o regime fascista é a corrupção institucionalizada.”
“A batalha parlamentar pela despenalização da IVG foi uma luta da qual me orgulho muito ter participado.”
“Que memórias tenho antes do 25 de Abril de 1974.”

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